A presente matéria pretende apresentar os requisitos para manter a qualidade do ar em ambientes climatizados, mostrando os principais aspectos que interferem na obtenção de um ambiente salubre e adequado para a realização das diversas atividades laborais.

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A insalubridade apresentada em ambientes climatizados pode ser associada à baixa qualidade do ar insuflado nestes locais, assim como a formação, movimentação e dispersão de contaminantes, sejam contaminantes internos infiltrados ou gerados no sistema de climatização e dutos como vapores, gases, poeiras, fungos, bactérias.

É corriqueiro mensurar em até 100% o nível de contaminação do ar de um ambiente climatizado em relação ao nível de contaminação do ar externo. Isto se deve ao acúmulo de umidade e poeira que ocorre em ambientes climatizados e, portanto, a proliferação de micróbios e bactérias é muito maior do que em ambientes abertos. Outro aspecto responsável pela contaminação de um ambiente é a concentração de pessoas, sendo que estas são responsáveis pela liberação CO2, odores e aumento da carga térmica devido ao seu metabolismo.

Segundo NIOSH (1987), dentre os principais sintomas de pessoas ocupantes dos ambientes insalubres destacam-se as infecções, as reações alérgicas e irritantes, dores de cabeça e articulares, irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse seca, dermatites, fadiga, sonolência, dificuldade de concentração, sensibilidade a odores, congestão, sinusite, falta de ar, rinite alérgica, asma brônquica, doença do Legionário, perda de produtividade e por fim, a ausência frequente ao trabalho conhecida como absenteísmo.

CONTAMINANTES

Dentre os agentes a maioria está associada aos Sistemas de Climatização e o restante tem sua origem ligada a diversos tipos de Contaminantes. Torna-se necessário proceder-se à identificação dos mesmos, mostrando-se suas origens, formas de proliferação, seus efeitos, as maneiras de identificá-los e os procedimentos de controle dos mesmos. Abaixo citaremos os mais encontrados:

  1. Contaminantes Químicos Interiores

Compostos Orgânicos Voláteis: Compostos Orgânicos Voláteis, que são aqueles que possuem em sua constituição, carbono e hidrogênio e, volatilizam-se à temperatura ambiente. Os principais sintomas relacionados à exposição a esses compostos são cansaço, dores de cabeça, tonturas, fraqueza, sonolência, irritação dos olhos e pele.

Dióxido de carbono (CO2) produzido através de combustão de combustíveis fósseis e processos metabólicos. Este é responsável pelo controle da frequência de respiração de uma pessoa. O aumento do nível de CO2 provoca a sensação de falta de ar e por consequência a frequência respiratória é aumentada para compensação deste efeito. Sua concentração em ambientes climatizados depende principalmente do número de ocupantes, uma vez que estes o emitem através do processo de respiração.

Óxido de nitrogênio (NO) é resultado de combustões a alta temperatura, como queima de combustíveis de veículos. Entra em ambientes através dos sistemas de captação quando estes estão colocados no nível da rua. Pode interferir no transporte de oxigênio para os tecidos produzindo efeitos parecidos como os do CO e ainda edema pulmonar quando em grandes concentrações.

Dióxido de nitrogênio (NO2) produzido em ambientes internos a partir da queima de combustíveis orgânicos em aparelhos como fogões a gás e aquecedores de ambiente, além de fumaça de cigarro. O NO2 age como um agente irritante, afetando os olhos, pele e a mucosa do nariz, sendo que em altas concentrações pode afetar também a garganta e o trato respiratório.

Dióxido de enxofre (SO2) é subproduto de combustão de combustíveis fósseis e compostos a base de enxofre, apresentando cheiro característico em altas concentrações. Apresenta alta solubilidade em água sendo absorvido pelas membranas do sistema respiratório, formando ácido sulfúrico e sulfuroso. Causa danos não só aos ocupantes como também aos equipamentos e móveis, uma vez que em contato com umidade produz produtos corrosivos.

Amônia (NH3) utilizada principalmente como gás refrigerante em sistemas de refrigeração de grande porte e também em produtos de limpeza. Apresenta alta solubilidade em água e é bastante tóxico apresentando cheiro característico. Afeta diretamente o trato respiratória superior uma vez que estes são bastante úmidos.

  1. Contaminantes Químicos Exteriores

Os contaminantes químicos exteriores mais conhecidos são aqueles provenientes de descargas de automóveis e de gases de chaminés de fabricas. Dentre os gases podem-se destacar os monóxidos (CO) e dióxidos de carbono (CO2), o dióxido de nitrogênio (NO2), o dióxido de enxofre (SO2), o ozônio (O3), vapores de chumbo e metais pesados. A contaminação dos ambientes pelos elementos citados se dá principalmente em função de entradas de ar, localizadas no nível do terreno ou próximas ao tráfego.

Requisitos para a Garantia da Qualidade do Ar Interno

Como vimos, os ambientes chamados “doentes” apresentam uma série de características de insalubridade provocando diversos sintomas nos ocupantes e, por consequência, diminuição da produtividade e aumento do absenteísmo nestas situações. Para tanto, uma plena qualidade do ar pode ser adquirida através de cinco requisitos fundamentais:

  1. Excelência de Qualidade de Filtros e Sistemas de Filtragem
  2. Captação de Ar externo de boa qualidade para renovação
  3. Processos Eficientes de Limpeza e Higienização dos sistemas de climatização e dos Ambientes
  4. Controle preciso de Temperatura e Umidade privilegiando o Conforto Térmico
  5. Monitoramento da concentração de contaminantes – Detecção de gases

(Leia mais: 10 dicas sobre como escolher detectores fixos e detectores portáteis).

detector variogard final  fotos detectores de gás Enesens

Além dessas medidas, uma analise e adequação as legislações vigentes passam a ser ponto primordial nestas questões. Veja algumas dessas normas:

  • Norma técnica 002 Resolução 09 ANVISA – Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interno em Ambientes Climatizados Artificialmente de Uso Público ou Privado
  • RENABRAVA II – Qualidade do Ar Interior em Sistemas de Condicionamento de Ar e Ventilação para Conforto
  • NBR 3422 – Agentes químicos no ar – Coleta de aerodispersóides por filtração
  • Norma Regulamentadora 15 do Ministério do Trabalho e Emprego – Atividade e Operações Insalubres
  • Limites Exposição (TLVs) para Substâncias Químicas e Agentes Físicos e Índices Biológicos de Exposição (BELs) – ACGIH 2005.

Além dos 05 requisitos e das normas/legislações, outro aspecto para minimizar o problema é a necessidade de se ampliar a discussão acerca das medidas de prevenção e inibição dos fatores nocivos à saúde, assim como a purificação do ar, a salubridade e o conforto, surgindo à necessidade da intervenção de profissionais capacitados, principalmente os relacionados à Segurança do Trabalho, no intuito de se garantir a salubridade e a qualidade do ar interno nos ambientes climatizados.

Sobre a Enesens

A Enesens é uma empresa especializada em soluções de monitoramento de gases e detecção de vazamentos, destinada à preservação de vidas, processos e ativos. A partir de um amplo conhecimento do setor e das principais tecnologias de detecção, comercializa detectores fixos e portáteis para todos os tipos de necessidades, com profissionais especializados na prestação de serviços como projetos, instalação, comissionamento e manutenção dos detectores, além de projetos customizados de desclassificação de áreas a partir da utilização adequada dos detectores de gases fixos.

Para receber informações mais detalhadas sobre a Enesens entre em contato em 11 4218-3288 ou acesse www.enesens.com.br.

Fonte: Qualidade do Ar Interno, José Edson Basto.