Quando o Brasil parou para pensar no assunto

No Brasil, a busca por melhores condições de trabalho, saúde e segurança contra a utilização do benzeno teve início no período de 1980 com o surgimento do Novo Sindicalismo.

Alguns movimentos sindicais se destacaram no período com denúncias que, assumindo uma repercussão nacional, incentivaram o desenvolvimento de acordos entre os sindicatos, indústrias e governo. Entre esses movimentos, ressalta-se o realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Santos-SP que desvendou a chamada “epidemia de benzenismo”, denunciando a existência de diversos casos de leucopenia por exposição ao benzeno em trabalhadores da Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), em Cubatão-SP. Nessa época, sabe-se que mais de três mil trabalhadores no Brasil chegaram a ser afastados do trabalho com o benzenismo*.

Conhecendo um pouco mais – Acordo Nacional do Benzeno

Desenvolvido em 1995, o Acordo Nacional do Benzeno é composto por um acordo, uma legislação e duas instruções normativas – de avaliação ambiental e de vigilância à saúde do trabalhador. Estabeleceu as competências dos órgãos envolvidos, das empresas e trabalhadores; criou a CNPBz (Comissão Nacional Permanente do Benzeno) para discussão, negociação e acompanhamento do acordo, e o GTB (Grupo de Representação dos Trabalhadores do Benzeno) para atuar dentro das empresas.

Indústrias envolvidas: o Acordo Nacional do Benzeno se aplica às empresas que produzem, transportam, armazenam, utilizam ou manipulam benzeno e suas misturas líquidas, contendo 1% ou mais de volume, e àquelas por elas contratadas. Em sua maioria, abrange as indústrias químicas e petroquímicas, siderúrgicas e petroleiras, além dos laboratórios de análise química, postos de gasolina, mecânicas e outras atividades que usam a gasolina como solvente.

Limites de utilização estabelecidos: o Acordo estabelece o conceito de VRT (Valor de Referência Tecnológico) para definir a concentração de benzeno no ar considerada exequível. São eles: 2,5 ppm para as indústrias siderúrgicas e 1,0 ppm para as outras empresas abrangidas pelo acordo.

Por que tanta polêmica quando se fala em Benzeno

O benzeno é um produto extremamente tóxico, principalmente para o sistema formador de sangue. Ele pode ser ingerido pelo ar, pela pele ou pela alimentação, sendo a respiração a via mais importante para sua absorção.  Os efeitos de sua absorção podem surgir rapidamente quando há exposição a altas concentrações (efeitos agudos) ou mais lentamente (efeitos crônicos).

Em altas concentrações, o benzeno é bastante irritante para as mucosas (olhos, nariz, boca etc.) e, quando aspirado, pode provocar edema (inflamação aguda) pulmonar e hemorragia nas áreas de contato. Também provoca efeitos tóxicos para o sistema nervoso central, causando sonolência, tontura, dor de cabeça, enjoo, náusea, taquicardia, dificuldade respiratória, tremores, convulsão, perda da consciência e, até mesmo, a morte.  Os casos de intoxicação crônica variam de simples diminuição da quantidade das células do sangue até a ocorrência de leucemia ou anemia aplástica.

Quanto aos efeitos da exposição em longo prazo ao benzeno (crônicos), podem ocorrer alteração na medula óssea, no sangue, nos cromossomos, no sistema imunológico e vários tipos de câncer. Também pode ocasionar danos ao sistema nervoso central e irritação na pele e nas mucosas.

Nas indústrias, algumas substâncias ou processos químicos são extremamente cancerígenos e não deve ser permitida nenhuma exposição ou contato, por qualquer via, como: 4-amino difenil (p-xenilamina); produção de benzidina; beta-naftilamina e 4-nitrodifenil.

Detectando o Bezeno nas Atividades Industriais

Por si só, é clara a importância do monitoramento do benzeno nas atividades industriais, da detecção dos vazamentos e dos reparos imediatos. Da mesma forma, é fundamental a implantação de programas como o LDAR (Programa de Detecção de Vazamentos e Reparos), com gerenciamento constante de todo processo.

Além disso, segundo o Acordo Nacional do Benzeno, que completa 10 anos em 2015, as empresas têm o dever de: assumir o gerenciamento ambiental como expressão de alta prioridade empresarial, em busca da excelência; implantar medidas que previnam, na fonte, a liberação ou dispersão do benzeno; organizar o trabalho, incluindo procedimentos específicos, buscando eliminar a exposição ocupacional ao benzeno.

No Brasil, algumas empresas trabalham com sistemas de detecção de gases, com produtos e serviços voltados para este fim. No entanto, são poucas as tecnologias que hoje conseguem realizar a detecção do benzeno e a presença de possíveis vazamentos. Além de extremamente tóxico, o benzeno é de difícil detecção, exigindo a utilização de equipamentos diferenciados.

Algumas recomendações para implantar sistemas de detecção de gases tóxicos em uma atividade industrial com presença de benzeno (referência – Enesens)

PpmDentro de uma indústria com presença de gases tóxicos como o benzeno, recomenda-se a aplicação do monitoramento  do ar ambiente e do monitoramento de processos utilizando tecnologias de sensores eletroquímicos, semicondutores, infravermelho e fotoionização.

O monitoramento do ar ambiente, incluindo o monitoramento de vazamentos, é essencial para a indústria realizar a detecção de baixos níveis de gases para a segurança ocupacional dos trabalhadores.

Já o monitoramento de processo, possibilita o controle dos níveis das substancias utilizadas no processo de sínteses química, desde baixas concentrações em PPM e PPB a altas concentrações em % de nível de volume.

titan3

Para realizar estes monitoramentos é necessário o desenvolvimento de um projeto completo, abrangendo a dispersão de gases, detectores fixos e/ou portáteis, instalação, comissionamento e startup do sistema.

Entre os equipamentos recomendados, próprios para refinarias, siderurgias e petroquímicas, encontra-se o detector de gás TITAN, único detector fixo para o monitoramento continuo de benzeno existente no mercado.

O Detector TITAN integra um moderno sensor PID (fotoionização), permitindo a detecção de baixíssimos níveis benzeno, sem a interferência à sensibilidade de outros gases como os COV (componentes orgânicos voláteis). Proporciona o monitoramento contínuo do benzeno, operando em temperaturas extremas e com alarmes em tempo real.

Outras referências normativas voltadas para a segurança do trabalho, saúde e meio ambiente: NR-15, NR-20, norma CETESB: Inventário de Emissões, CONAMA 03/1990: PRONAR (Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar).

* Benzenismo – conjunto de sinais, sintomas e complicações, decorrentes da exposição aguda ou crônica ao hidrocarboneto aromático, benzeno.